VEJA
Família descobre abuso infantil ao ver pergunta que criança fez a IA
Parente confessou crime contra a menina, mas Justiça concedeu liberdade
Uma família descobriu que uma criança de 12 anos era vítima de abuso sexual após encontrar uma pergunta feita por ela a um aplicativo de inteligência artificial. O caso aconteceu em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, e veio à tona no sábado, 25.
A situação foi descoberta quando familiares viram uma pergunta enviada pela criança ao aplicativo de IA. Na mensagem, ela questionava se estaria “atrapalhando o casamento da tia”.
A resposta do sistema alertava que a culpa não era da criança e que a responsabilidade de manter respeito e limites em uma relação familiar é sempre do adulto. Após encontrar a conversa com a inteligência artificial, a família também localizou mensagens enviadas pelo suspeito para a menina com conteúdo de teor sexual.
A tia da criança relatou que confrontou o homem imediatamente. Segundo ela, o suspeito tentou impedir que a situação fosse exposta. Em seguida, a vítima confirmou os abusos. A primeira frase dita por ela, segundo familiares, foi um pedido de desculpas por achar que poderia prejudicar o casamento da tia.
De acordo com o Código Penal, qualquer relação sexual com menores de 14 anos é considerada estupro de vulnerável, independentemente de consentimento. O homem chegou a ser preso em flagrante, mas foi liberado após audiência de custódia. A decisão judicial entendeu que não havia elementos suficientes para justificar a prisão preventiva.
Na decisão, a Justiça avaliou que, apesar de haver indícios do crime, não havia sinais de que o suspeito representaria risco à ordem pública, nem possibilidade de fuga ou de interferência na investigação. Mesmo assim, o caso segue sob investigação da Polícia Civil.
Posteriormente, o Ministério Público informou que apresentou denúncia por estupro de vulnerável e solicitou a prisão preventiva do acusado.
A família afirma que o homem mora próximo à casa da criança e conhece a rotina dela, o que aumentou o medo após a libertação. Segundo a mãe da menina, a criança passou a evitar sair de casa e deixou de frequentar atividades normais, como ir à escola.
A delegada responsável pelo caso destacou a importância de ouvir e acreditar em relatos de crianças e adolescentes. Ela também orientou que mudanças de comportamento, falas sexualizadas ou sinais de medo podem indicar situações de violência e devem ser investigados.
Como denunciar
Casos de suspeita de abuso ou exploração sexual de crianças e adolescentes podem ser denunciados pelos seguintes canais:
Polícia Militar: 190
Polícia Civil: 197
SAMU: 192
Disque Direitos Humanos: 100



