Política
Casa Branca rejeita ‘golpe’ de Flávio Bolsonaro e recomenda cautela
Washington se irritou com carta e disse que não endossaria iniciativa para invalidar eleições
A Casa Branca rejeitou a tentativa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de se colocar como autodeclarado presidente eleito do Brasil, como uma espécie de Juan Guaidó para contestar o resultado das eleições brasileiras e recomendou que o senador permaneça abaixo do radar nos próximos dias.
Segundo uma fonte do governo norte-americano ouvida pelo ICL Notícias, Washington ficou irritada com o tom da carta divulgada pelo parlamentar e comunicou aos bolsonaristas que não endossaria qualquer iniciativa para invalidar o processo eleitoral brasileiro, pelo menos neste momento.
A orientação ocorre às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as chamadas midterms, marcadas para 3 de novembro. A avaliação na Casa Branca, segundo a fonte, é que uma intervenção na disputa eleitoral brasileira criaria um problema político adicional para Trump, que já enfrenta críticas de parlamentares democratas pela entrada de Flávio em território americano.
Apesar de ter falado em fraude nas eleições brasileiras, Trump não endossou a posição de Flávio Bolsonaro. Perguntado se ele iria falar com Lula para parabenizá-lo, Trump respondeu na quinta-feira (29): “Eu falarei com ele. Mas acho que a eleição foi uma vergonha para o Brasil”.
Questionado sobre quem seria o presidente legitimo, ele insistiu: “Não quero comentar sobre isso agora, mas acho que foi um constrangimento para os brasileiros. Eu não tomei lado, deixei ela ocorrer. O atual presidente pediu para eu não tomar partido. Mas quando assisti, foi uma vergonha. Olha o que ocorreu com o mercado.”
Fontes da área de inteligência consultadas pelo ICL Notícias afirmam que havia a expectativa de que a presença do senador brasileiro nos Estados Unidos pudesse representar um ativo eleitoral para Trump. O efeito, porém, teria sido o contrário. Em vez de produzir dividendos políticos, a chegada de Flávio passou a representar uma fonte de desgaste para o governo republicano.
Foi nesse cenário que a Casa Branca recomendou ao senador manter um perfil discreto, reduzir sua exposição pública e evitar qualquer tentativa de associar o governo americano à contestação das eleições brasileiras.
A mensagem de Washington foi transmitida antes de Trump declarar publicamente que não pretendia se envolver na questão. Quando o presidente americano anunciou sua posição, portanto, os bolsonaristas já haviam sido informados de que não teriam o apoio esperado, segundo a fonte consultada pela reportagem.
Uma outra fonte confirmou que foi a irritação da Casa Branca que fez Flávio Bolsonaro ser obrigado a retirar o termo “verdadeiro presidente eleito do Brasil” do documento original. Washington sugeriu que o texto fosse modificado e que a referência fosse trocada para “líder brasileiro”.
Ao contrário do que Donald Trump tem adotado com governos considerados como inimigos, a Casa Branca não estabeleceu nenhum tipo de restrição a autoridades brasileiras em território americano. Nesta sexta-feira (30), o chanceler Mauro Vieira desembarca em Miami para a reunião de ministros do G20 e estará na mesma sala com o secretário de Estado, Marco Rubio. Para observadores, isso é um sinal de que do lado americano há normalidade na relação com o governo Lula.
Democratas cobram explicações sobre entrada de Flávio
A chegada de Flávio aos Estados Unidos provocou críticas de parlamentares democratas, que questionam o tratamento oferecido ao brasileiro enquanto o governo Trump mantém uma política de restrições à imigração e ao acolhimento de refugiados.
O deputado Joaquin Castro, do Texas, afirmou que perder uma eleição não justifica um pedido de asilo e cobrou explicações sobre a possível participação de autoridades americanas na saída do senador do Brasil. “Perder uma eleição não é motivo para pedir asilo”, escreveu Castro no X.



