LUTO

Morre Marjane Satrapi, autora de "Persépolis", aos 56 anos

Escritora e cineasta franco-iraniana deixa legado nos quadrinhos e no cinema
Por Redação 04/06/2026 - 08:50
A- A+
Reprodução
Marjane Satrapi, autora de Persépolis, morreu aos 56 anos e deixa legado nos quadrinhos e no cinema mundial
Marjane Satrapi, autora de Persépolis, morreu aos 56 anos e deixa legado nos quadrinhos e no cinema mundial

A escritora, ilustradora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi, autora da aclamada graphic novel Persépolis, morreu aos 56 anos. A informação foi confirmada por familiares nesta quinta-feira, 4, em comunicado divulgado à imprensa internacional.

Segundo a nota, Satrapi morreu "de tristeza" pouco mais de um ano após a morte do marido, o produtor e ator Mattias Ripa, falecido em abril de 2025. O casal se conheceu em Paris, cidade onde a artista construiu grande parte de sua trajetória profissional.

Nascida em Rasht, no Irã, em 22 de novembro de 1969, Marjane Satrapi tornou-se uma das vozes mais influentes da literatura gráfica contemporânea. Sua obra mais conhecida, Persépolis, retrata sua infância e adolescência durante a Revolução Islâmica iraniana e os impactos do regime teocrático na vida da população.


Publicada originalmente em quadrinhos, a obra alcançou repercussão mundial e foi adaptada para o cinema pela própria autora em parceria com o diretor Vincent Paronnaud. A animação recebeu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e foi indicada ao Oscar de Melhor Animação em 2008.

Em entrevista concedida em 2007, Satrapi explicou que escolheu os quadrinhos como forma de narrar sua história e a realidade de seu país.

"Eu sempre amei desenhos e descobri neles a melhor forma de contar minha história", afirmou na ocasião.

Marjane Satrapi deixou o Irã e se estabeleceu na França em 1994, obtendo a cidadania francesa anos depois. Ao longo da carreira, destacou-se por suas críticas ao regime iraniano e por abordar temas como liberdade, identidade, exílio e direitos humanos.

A morte da artista gerou manifestações de autoridades e representantes da cultura internacional. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que Satrapi foi "uma grande artista que transformou uma infância iraniana em uma fábula universal".

Já o diretor do Festival de Cannes, Thierry Frémaux, destacou a capacidade da autora de transformar experiências pessoais em obras de alcance global.

Além de Persépolis, Satrapi assinou livros, ilustrações e produções cinematográficas que ajudaram a ampliar a visibilidade da cultura iraniana no cenário internacional.

Leia mais sobre


Encontrou algum erro? Entre em contato