EM 2024

PTK tentou ocultar elo com Comando Vermelho usando manobra jurídica em 2024

Influenciador afirmou à Justiça que temia ter armas e drogas colocadas em sua residência
Por Redação 05/06/2026 - 11:51
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Reprodução/Instagram
O influenciador alagoano Patrick Almeida, conhecido como PTK
O influenciador alagoano Patrick Almeida, conhecido como PTK

Patrik de Almeida, conhecido como PTK, preso nesta semana em uma operação contra o Comando Vermelho em Alagoas, tentou obter um habeas corpus preventivo em 2024 alegando risco de ser alvo de uma prisão forjada durante o período eleitoral.

Documento obtido pelo jornalista Felipe Ferreira, do portal 7Segundos e confirmado pelo EXTRA mostra que o influenciador recorreu à Justiça após afirmar ter sido ameaçado em 25 de maio de 2024. No pedido, ele relatou que três homens, supostamente armados, o abordaram na porta de seu estabelecimento comercial.

Segundo o relato apresentado ao Judiciário, os suspeitos utilizavam um veículo Renault Duster, de placa SAJ8J26. PTK informou ainda que registrou a ocorrência na Delegacia Virtual e sustentou que as ameaças teriam motivação política.

Na ação, o influenciador declarou que era pré-candidato a vereador por Maceió e atribuiu as investidas a políticos que, segundo ele, estariam incomodados com o alcance de seus projetos sociais e com sua participação na disputa eleitoral.

PTK afirmou à Justiça que temia ter armas e drogas colocadas em sua residência para justificar uma prisão e comprometer sua candidatura. Apesar das alegações, o pedido não apresentou elementos que apontassem a existência de investigação criminal ou de ordem de prisão em andamento.

Ao analisar o caso, a Promotoria de Justiça de Maceió destacou que o habeas corpus preventivo exige demonstração concreta de ameaça à liberdade de locomoção. O parecer apontou que o pedido estava baseado em receios genéricos e sem comprovação de risco iminente.

"A mera suposição, sem indicativo fático, de que o impetrante poderá vir a sofrer constrangimento ilegal, não constitui uma ameaça concreta à sua liberdade capaz de justificar o manejo de habeas corpus para o fim pretendido.", diz trecho.

O Ministério Público também registrou que não havia, naquele momento, investigação em curso na Polícia Civil de Alagoas que pudesse resultar em prisão contra o influenciador. Por esse motivo, manifestou-se pela rejeição do habeas corpus preventivo.

No parecer assinado pela promotora Amélia Adriana de Carvalho Campelo, em terça-feira, 17, o órgão ainda solicitou que PTK comparecesse à delegacia para fornecer informações que ajudassem na apuração da ameaça, incluindo imagens de câmeras de segurança e a identificação das pessoas que, segundo ele, pretendiam incriminá-lo.

As investigações da Polícia Civil apontam que PTK teria sido escolhido por Nem Catenga, apontado como liderança do Comando Vermelho em Alagoas, para atuar politicamente em favor da organização criminosa. Conforme a apuração, ele chegou a viajar ao Rio de Janeiro para receber orientações relacionadas ao processo eleitoral de 2024.

Após retornar a Maceió, o influenciador lançou pré-candidatura a vereador, mas acabou impedido de disputar a eleição pelo diretório municipal do Solidariedade. A investigação aponta ainda que ele pretendia concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026, filiado ao MDB.

A prisão de PTK foi mantida após audiência de custódia realizada na quinta-feira, 4. Ele foi encaminhado ao sistema prisional de Alagoas, onde permanece à disposição da Justiça.


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