colunista

Alari Romariz

Atuou por vários anos no Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa e ganhou notoriedade ao denunciar esquemas de corrupção na folha de pagamento da casa em 1986

Conteúdo Opinativo

Mulheres corajosas

16/03/2025 - 06:00
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Minha homenagem à mulher pelo seu dia, comemorado na semana passada, vai ser através de histórias sobre criaturas corajosas, que fizeram suas escolhas e souberam administrá-las.

Uma senhora carioca criou seus filhos dentro de uma comunidade. A grande preocupação dela era encaminhar os meninos de maneira saudável, sem se tornarem “aviões” dos traficantes. Quando os adolescentes chegavam em casa, cheirava suas bocas e vigiava os braços. Assim, a favelada dirigiu os três filhos para o lado correto, isto é, fora das drogas.

Conheci uma menina da classe média, muito estudiosa, que aos dezessete anos fez vestibular de Medicina e passou em primeiro lugar. Chegando ao terceiro ano, não podia ver sangue, pois desmaiava. Desistiu, fez vestibular para Letras e passou em segundo lugar. Foi professora universitária, fez mestrado e doutorado. Tornou-se referência na área escolhida corajosamente.

Tive a oportunidade de conviver com mulheres que casaram, tiveram filhos. Num determinado momento, descobriram que o marido tinha outra mulher, com filhos. Frequentavam a sociedade, ignorando tal fato, e levaram o casamento até o fim. Ficaram viúvas e choram a perda do marido.

Tenho uma amiga que namorava um homem casado. Quis ter filhos com ele e o herói não aceitou a proposta. Ela, já morando em outra cidade, resolveu fazer uma produção independente. Teve o filho com um jornalista e criou seu menino, hoje um lindo rapaz.

Outras mulheres escolhem caminhos mais fáceis: namoram, casam, têm filhos, não deixam de trabalhar e levam uma vida feliz. No meio de cinquenta, sessenta anos de casamento, enfrentam problemas, vivem bons e maus momentos e sobrevivem às dificuldades de um longo tempo.

Recentemente, ouvi de um psicólogo na televisão que um casamento feliz é um bom exemplo de pessoas que se ajustam umas com as outras.

Vejo casos de união de duas mulheres. Enfrentam os preconceitos da sociedade, mas conseguem uma vida feliz e digna. Atualmente esse tipo de casamento é comum.

Uma escritora famosa, já falecida, contava com naturalidade como deixou o primeiro marido e casou com o segundo. Depois de algum tempo, voltou para o primeiro e viveu com ele até o fim da vida. Escrevia livros e artigos falando de seus amores, quase sem esconder nada. Acho que foi uma mulher feliz.

Um caso marcou minha vida: uma mocinha trabalhou comigo desde cedo. Excelente profissional, aos quarenta anos resolveu ser mãe. Engravidou e teve uma linda filha. Criou-a com amor e carinho. Morreu e deixou a menina com dezoito anos. Não fosse a doença que a levou, realizaria totalmente o seu sonho. Deus a tenha em um bom lugar.

Ainda há mulheres que resolvem casar ou mesmo não casar e ter filhos. Uma grande amiga casou bem madura e desistiu da inseminação artificial na hora da cirurgia. Viveu com o marido ainda por alguns anos, enviuvou e hoje, com seus quase noventa anos, é uma pessoa alegre e comunicativa.

Recentemente, os papéis se inverteram: a mulher é provedora e o homem cuida da casa e dos filhos. Existe preconceito contra esse tipo de casamento, mas os dois vão bem e, profissionalmente falando, elas crescem bastante.

Outra criatura ficou viúva bem cedo, ao perder o marido num acidente de carro. Foi trabalhar, criou os filhos, já é avó e viaja sempre para ver seus rebentos fora do Brasil, sozinha ou em excursão com as amigas.

A força da mulher é bem grande. Ela, tanto na profissão como na vida em família, sobrevive com sucesso.

Não deixo de valorizar a parceria com o homem. Sou contra determinadas competições. No meu caso, a parceria com meu marido foi valiosa. Administramos bem os altos e os baixos.

Gosto muito de ser mulher, ter trabalhado durante mais de quarenta anos, ser casada há sessenta e dois.

Entretanto, admiro as amigas e conhecidas que fizeram corajosamente outras escolhas.

Viva a mulher!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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