colunista

Alari Romariz

Atuou por vários anos no Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa e ganhou notoriedade ao denunciar esquemas de corrupção na folha de pagamento da casa em 1986

Conteúdo Opinativo

O pastoril nacional


O Brasil está dividido em azul e vermelho. Ninguém tem coragem de resolver o problema. O atual presidente é a mestra do pastoril. Ficou vaidoso, não ouvia as pessoas que faziam a sua campanha, começou a dizer bobagens, fugiu do debate, usou o Supremo Tribunal Federal para defendê-lo e perdeu votos no país inteiro. O candidato do PL representa o azul. Aproveitou-se da vaidade do oponente e foi atrás dos votos. Vem aí o segundo turno com o cordão azul na frente. Há uma diferença de mais de dois milhões de votos. A luta vai ser grande, mas o vermelho vai trabalhar muito para tentar tirar a diferença e ganhar a eleição.

Em Alagoas, a situação foi parecida. De um lado, os Calheiros lutando pela reeleição. Do outro, JHC afirmando que representava a mudança. Novamente, o eleitor teve que escolher um lado ou o outro. O Renan Filho fez uma boa campanha, mostrando aos eleitores o que tinha feito em dois governos. Tudo levava a crer que sairia vitorioso. Já disse e repito: ele fez um bom governo. Cometeu um grave erro com os aposentados doentes na saída. Aumentou o desconto da previdência dos inativos consideravelmente.

O outro candidato, que foi prefeito de Maceió, custou a definir sua candidatura e a dos aliados. Também mexeu com os velhinhos. Negociou com o Banco Master a verba do Iprev. Foi seu maior pecado. Entretanto, fez sua campanha investindo na mudança. No interior, usava as lideranças não ligadas aos prefeitos. Os dois municípios que garantiram sua vitória foram Maceió e Arapiraca. Foi injusto com o Ronaldo Lessa e escolheu uma vice que lhe deu mais votos. Elegeu-se no primeiro turno levando em conta a boa administração que fez na capital.

No Senado foi uma festa! Arthur Lira, bicho sabido, fez uma campanha inteligente. Quando sentiu que JHC custava a definir sua chapa, liberou o segundo voto para o Senado. Perto das eleições, ele e Marina trabalharam juntos. Ele foi o mais votado e ela, a segunda. A estratégia de Renan pai colocando o Dr. Wanderley para o segundo em sua chapa foi negativa. O senador do coração tirou votos do Renan. Não por maldade, mas por ser querido em Alagoas. O tiro saiu pela culatra!

Outro jogo interessante foi o dos deputados estaduais. Fizeram um grupo forte e elegeram dezesseis. Estão fortalecidos, mas estarão na oposição. Como em política tudo é possível, vamos esperar para ver o que acontecerá com o JHC, o homem que afastou a Mesa Diretora do Legislativo quando era deputado estadual e é inimigo público do atual presidente da Assembleia. Ele, JHC, vai governar com a oposição?

O Brasil está numa situação complicada: quem vai ganhar no segundo turno? O Senado está pendendo para a direita, a Câmara também, o Supremo Tribunal Federal fragilizado. O que irá acontecer?

Alagoas perdeu os Calheiros. O atual governador perdeu os padrinhos e vai ficar sem mandato. Com o novo governo haverá outras figuras, os secretários vão sair e o governador eleito vai ter que ser inteligente, pois os velhos políticos de Alagoas são sabidos demais. O povo espera ansioso pela nova etapa da política do Brasil e das Alagoas. Viva o azul!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


Encontrou algum erro? Entre em contato