colunista

Elias Fragoso

Economista, foi prof. da UFAL, Católica/BSB, Cesmac, Araguaia/GYN e Secret. de Finanças, Planej. Urbano/MCZ e Planej. do M. da. Agricultura/DF e, organizador do livro Rasgando a Cortina de Silêncios.

Conteúdo Opinativo

5x2 é os 7x1 de 2014

30/05/2026 - 06:00
Atualização: 31/05/2026 - 10:54
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A Câmara dos Deputados carimbou mais um capítulo da irresponsabilidade. A aprovação da PEC que decreta o fim da escala 6x1 e reduz a jornada para 40 horas para companhias que já operam sufocadas por uma montanha de impostos — vários cobrados de forma antecipada — essa canetada populista não é um avanço social. É uma goleada histórica contra quem gera emprego.

A perda de um dia de trabalho nas escalas contínuas vai ampliar em 9% a necessidade de novas contratações para cobrir as folgas obrigatórias. Na prática, essa “brincadeirinha” dos parlamentares enfia de uma só tacada pelo menos 7% de custos fixos adicionais no lombo de empresas que, em sua grande maioria, já vêm operando no vermelho ou quase. O resultado dessa conta não será a distribuição de bem-estar, mas sim o início de uma temporada de corte severo de pessoal.

O aspecto mais cruel e hipócrita dessa medida é a escolha de suas vítimas. Escritórios de alto padrão, multinacionais, corporações financeiras e o próprio funcionalismo público — que adora aplaudir o populismo de dentro de suas salas com ar-condicionado — já operam no regime 5x2. Essa canetada não muda absolutamente nada na rotina deles.

A punição implacável vai recair integralmente no lombo das micro e pequenas empresas, no comércio de bairro, nas pequenas confecções, nos restaurantes e prestadores de serviços de menor porte. Justamente os negócios que respondem pela maior parte dos empregos gerados no país, os que mais necessitam de proteção, oxigênio e incentivos. Em vez de apoio, o Estado lhes oferece a forca. É o pequeno comerciante que terá de escolher entre aumentar seus custos em 7% da noite para o dia ou demitir o funcionário que o ajuda a manter as portas abertas.

O parlamento brasileiro resolveu mudar a regra do jogo, mas essa concessão absurda é um erro crasso. Um país cuja produtividade está estacionada há mais de 40 anos não pode se dar ao luxo dessas aberrações; países ricos estão reduzindo a carga horária porque, antes disso, elevaram a produtividade e a eficiência por trabalhador. Investiram massivamente na formação de mão de obra qualificada e hoje desfrutam das regalias de países ricos na era 4.0. O Brasil? Ainda estacionado nos gargalos da era 2.0.

Forçar duas folgas semanais sem dar o suporte da infraestrutura, da logística e da educação técnica é o equivalente a escalar um time de várzea para enfrentar o campeão do mundo. Não é assim que se desenvolve um país.

O microempresário não pode ser destinatário de políticas canhestras e demagógicas. O mercado pune a arrogância com a mesma velocidade que os alemães puniram a nossa defesa. Vem aí uma temporada de demissões.

A discussão econômica neste país precisa parar com essa palhaçada assistencialista. É preciso que agenda seja urgentemente alterada. Chega de sacanagens com os pequenos que carregam este país no lombo feito burros de carga. A escala 5x2 será lembrada para sempre como o maior 171 já aplicado pelo próprio Estado contra o trabalhador que ele diz proteger. Vem aí mais miseráveis para inflar as bolsas famílias da vida. É o que se quer? Com a palavra o Senado, para onde foi encaminhada a 5x2. Teremos outro 7x1 de 2014?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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