Sambaquis e a pré-história de Alagoas
É consenso no meio científico que os primeiros habitantes do território alagoano não eram os indígenas, mas seres pré-históricos, também profundos conhecedores de cada pedaço da natureza. Pescadores-coletores que deixaram seus rastros nos sambaquis. Os sambaquis eram um mistério para os indígenas. Quando os europeus chegaram, matando os caetés após o banquete antropofágico do bispo Sardinha nas areias da praia de Coruripe, os sambaquis eram devastados para se fabricar a cal das primeiras construções dos colonizadores e, logo depois, as conchas usadas na construção de estradas.
Sambaquis eram amontoados de mariscos, segundo a língua tupi. Com o tempo percebeu-se que estes montes erguidos pelos nossos antepassados como gigantescos cuscuzes também continham ossos de gente e instrumentos pré-históricos. Um deles foi localizado na Reserva do Saco de Pedra, em Marechal Deodoro. Visitado em 2003 por uma expedição de pesquisadores, as amostras de moluscos mostravam atividade humana bem antes dos portugueses e também dos indígenas.
Em 1874, João Francisco Dias Cabral, membro do Instituto Geográfico e Arqueológico de Alagoas (IGAA), fala do sítio Cajazeiras, na Fazenda Taquara, em Limoeiro de Anadia, onde foram descobertas igaçabas (potes de barro) com ossos humanos numa área com provável sambaqui.
“Em escavações realizadas no antigo prédio de número 55 da Rua do Comércio foram encontrados restos de animais pré-históricos, segundo relatório apresentado em 1882 pelo secretário perpétuo do Instituto Histórico, Dias Cabral”, nos diz o historiador Douglas Apratto.
Alfredo Brandão, em sua obra A Escrita pré-histórica no Brasil, relata uma chã de cacos em Viçosa, outro sambaqui.
Em 1938, na Gruta da Cafurna, no serrote do Goiti, próximo a Palmeira dos Índios, relata-se a descoberta de urnas funerárias com ossos humanos. Em 1962 descobrem-se igaçabas na Gruta da Cafurna e cemitérios mais igaçabas.
Grande quantidade de sambaquis existe no Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba. No sítio Saco de Pedra, por exemplo, os sambaquis também tinham restos de artefatos cerâmicos, moluscos e peixes. Estamos falando de grupos que, no passado, eram pescadores e é provável que as pesquisas apontem o uso de canoas para deslocamento.
Hoje existe a ameaça de que tudo isso desapareça. Constantes queimadas e a ação dos homens ameaçam os vestígios do passado. O progresso não perdoa. banner
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