Vaidade e Constrangimento
Ronaldo Lessa candidato a qualquer cargo em 2026 será a vaidade transfomada em constrangimento. A política tem seu tempo, sua liturgia e, sobretudo, seus ciclos. Há momentos de protagonismo e há momentos de recolhimento estratégico. Insistir em disputar espaço quando o cenário já aponta para novas lideranças pode soar menos como vocação pública e mais como apego ao palco.
Lessa tem história, ninguém lhe nega. Já ocupou cargos relevantes, participou de embates importantes e deixou sua marca em determinados períodos da vida política alagoana. Mas a política não é museu de memórias, é movimento. Quando a candidatura passa a parecer um gesto de afirmação pessoal e não uma resposta concreta às demandas atuais da sociedade, o risco é transformar capital político em desgaste público.
Há biografias que se engrandecem quando sabem encerrar ciclos com elegância. A vaidade, quando fala mais alto que a estratégia, costuma cobrar um preço alto nas urnas e na história.
Dor de cabeça
Nos bastidores de Brasília, cresce a inquietação de parlamentares governistas com a futura composição do Tribunal Superior Eleitoral. A avaliação reservada na base aliada é de que decisões recentes e a movimentação nos tribunais regionais indicam um ambiente menos previsível para o Palácio do Planalto no ciclo eleitoral que se aproxima.
No Congresso, governistas já falam abertamente na necessidade de reforçar a articulação política e jurídica para evitar surpresas. A leitura é pragmática: eleição se decide no voto, mas também nos tribunais. E, nesse tabuleiro, cada movimento conta.
Campanha sem filtro
A eleição que se aproxima em Alagoas promete ser marcada menos por propostas e mais por retrospectivas incômodas. A história nada lisonjeira de cada político candidato será revisitada, repassada e exposta, sem maquiagem e sem edição suave.
Nos bastidores, já se fala em campanhas duras, com revelações que não serão recomendáveis para menores nem para a tradicional família alagoana. Escombros e esgotos políticos serão revirados. E quem apostou na memória curta do eleitor pode descobrir que, em ano eleitoral, arquivo morto vira manchete.
Medo ou chantagem
A demora do prefeito JHC em anunciar oficialmente sua candidatura deixou de ser vista, por setores do próprio entorno, como estratégia calculada. Nos bastidores, aliados admitem desconforto com o compasso de espera, especialmente para quem lidera pesquisas e, em tese, teria o terreno preparado para avançar.
Nas rodas políticas, duas hipóteses ganham corpo e circulam com insistência: medo ou chantagem. A primeira aponta para receio de desgaste precoce, exposição excessiva ou revelações inconvenientes em meio ao embate que se avizinha. A segunda sugere pressões subterrâneas, negociações delicadas e acordos ainda não fechados.
Racha à direita
As pré-candidaturas de Flávio Bolsonaro à Presidência, de Michelle Bolsonaro ao Senado pelo DF e de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina estão longe de serem movimentos pacificados dentro do campo conservador.
Nos bastidores, o clima é de tensão. Lideranças que já trabalhavam seus próprios projetos se sentem atropeladas, ameaçadas e com territórios eleitorais invadidos sem negociação prévia. O discurso público ainda é de unidade, mas a irritação cresce em conversas reservadas.
Insistência arriscada
A defesa da escala de trabalho 6x1 — seis dias trabalhados para um de descanso — voltou ao centro do debate, e o governo insiste na pauta, mesmo diante de reações crescentes de setores produtivos e de parte da opinião pública. A avaliação em segmentos do Congresso é de que o tema pode se transformar em desgaste político desnecessário.
No ambiente econômico ainda sensível, a aposta pode se revelar um tiro no pé. Em ano pré-eleitoral, pautas trabalhistas com potencial de conflito costumam produzir mais ruído do que consenso e, nesse jogo, quem erra o timing paga a conta nas urnas.
Os penduricalhos dos Marajás
(BRASÍLIA) - O Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional firmaram acordo para propor regra de transição para os penduricalhos, indenizações que resultam em remunerações para servidores públicos acima do teto constitucional de R$ 46.366,19. O acordo foi fechado pelos presidentes do STF, Edson Fachin, do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, em reunião com a presença dos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino. No começo do mês, em liminar, Dino ordenou aos três Poderes que cortassem os pagamentos sem amparo legal e a suspensão dos famosos “penduricalhos”.
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