Jornalista, escritor, colunista do Jornal Extra, da Gazeta de Alagoas e da Tribuna do Sertão, além de presidente do Instituto Cidadão.

Conteúdo Opinativo

O orgulho de ser jornalista

07/04/2026 - 17:25
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O ano era 1967, em plena Ditadura Militar e ai nasceu um jornalista, com alma e coração voltado pelo amor ao oficio de informar, denunciar e defender suas convicções.
Após apresentar meu programa na rádio Sampaio, de Palmeira dos Índios, com apenas 19 anos de idade e fazer criticas contra um delegado de polícia arbitrário e truculento, Coronel Cicero Argolo, vários policiais invadiram a emissora com o objetivo de me capturar.

Eu já havia deixado a rádio e me encaminhava para minha casa que também estava cercada pela policia a minha espera. Fui abordado no caminho pelo vice-governador Juca Sampaio, que pediu para entrar em seu carro e me conduziu a minha residência em segurança. Amigo da família “seu Juca”, como o chamava, ao entrar na minha rua a polícia imediatamente se retirou. De imediato se comunicou com o governador Lamenha Filho e com o secretário de Segurança Pública.

O delegado foi removido da cidade, mas o descontentamento seguiu, com ameaças contra minha integridade física. Nunca foi corajoso, mas sempre fui teimoso e continuei criticando polícia, políticos e poderosos.

Temendo por minha vida e aconselhado por amigos da família, meu pai decidiu que eu deveria ir passar um tempo em São Paulo, onde fui acolhido pelo meu tio Oswaldo. Talhado pelo destino e por vocação, três meses depois já estava trabalhando no Diário de São Paulo e também como assessor de imprensa na Associação Cristã de Moços (ACM).

A temporada paulista, que chamo de “minha segunda pátria”, morando literalmente entre a Ypiranga e Avenida São João (tal qual musica SAMPA de Caetano) durou três anos. Veio a saudade do meu chão, Alagoas e mais uma vez problemas dessa vez com os algozes da ditadura, que insistiam em me monitorar e ameaçar, apenas pelo fato de cobrir o Caderno de Cultura do Diário de São Paulo e opor força do oficio, conviver com pessoas como Chico Buarque, Paulo Autran, Nara Leão, Gilberto Gil, Paulo Coelho, Paulo Rangel, Geraldo Vandré, Glauber Rocha e ter entrevistado Dom Paulo Evaristo Arns ( odiado pelos militares). Essa história é contada em meu livro “A Face Cruel da Ditadura).

A partir da década de 70 volto para Maceió, onde desde então caminhei por diversos órgãos de comunicação, fundei jornais e dirigi redações. Minha pauta sempre foi a politica e por isso , formado em Direito, fiz minha pós-graduação em Ciências Políticas na UnB. Hoje aos 77 anos, continuo com o mesmo entusiasmo e a mesma indignação de sempre. Um decepcionado não com a política, mas com os políticos.

Continuo firme em meus princípios e valores e isto me faz sentir que cumpri com dignidade a sagrada atividade de fazer jornalismo tendo como lema que “ser odiado por idiotas é o preço que pago por não ser um deles”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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