Jornalista, escritor, colunista do Jornal Extra, da Gazeta de Alagoas e da Tribuna do Sertão, além de presidente do Instituto Cidadão.

Conteúdo Opinativo

Martelo batido, prego fincado

04/04/2026 - 06:00
Atualização: 02/04/2026 - 20:54
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O martelo foi batido. O prego, fincado. E a eleição mudou de patamar.
Não há mais espaço para dúvidas nem para versões fantasiosas: o jogo virou e virou com força. O que antes era tratado como especulação de bastidores, agora ganha contornos de realidade política concreta. As engrenagens giraram, as conversas avançaram, as resistências foram vencidas e, nos últimos ajustes, a chapa tomou forma. Forte, competitiva e com ambição de vitória.

Durante semanas, venderam a ideia de “passeio”. Outros, mais criativos, inventaram um suposto “acordo de Brasília” que jamais existiu, uma narrativa conveniente para acalmar aliados e confundir adversários. Mas política de verdade não se faz com ilusão, e sim com articulação, timing e coragem. E foi exatamente isso que aconteceu: enquanto alguns falavam, outros costuravam. Enquanto uns apostavam no improvável, outros construíam o inevitável.

As peças se encaixaram. E o anúncio que ainda nem foi oficializado já ecoa nos bastidores como um fato consumado. Não há mais como ignorar.

Tive o privilégio de estar entre os primeiros a saber. E mais do que saber, anunciei com a convicção de quem entende o peso do momento: JHC para governador; Arthur Lira e Alfredo Gaspar para o Senado.

Uma construção política


Não é apenas uma chapa. É um movimento. Uma construção política que nasce com densidade eleitoral, capilaridade e força institucional. Uma combinação que reúne gestão, articulação nacional e presença firme no debate público.

Agora, o cenário muda completamente. O que antes parecia previsível, torna-se disputa real. O que era tratado como acomodação, transforma-se em confronto. E, a partir daqui, não haverá espaço para amadores, apenas para quem tiver estrutura, estratégia e voto.

A sorte está lançada. Mas mais do que sorte, o que se desenha é um embate de projetos, de forças e de visões para Alagoas.

E que vençam os melhores. Ou melhor: que vença aquele que for, de fato, o melhor para Alagoas.

Em tempo: A coluna foi fechada na quarta-feira. Como estamos falando de política, tudo pode ter sido mudado, inclusive nada.

Vergonha alagoana


O presidente do Tribunal de Contas pede aposentadoria. Até aí, um direito legítimo. O que vem em seguida, porém, agride a inteligência do cidadão e afronta o princípio mais básico da República.

Em um movimento tão rápido quanto constrangedor, a Assembleia Legislativa aprova o nome do seu próprio filho, o deputado Bruno Toledo, para ocupar o cargo. Tudo resolvido em tempo recorde. Sem debate real. Sem constrangimento aparente. Sem qualquer zelo com a liturgia do cargo.

Onde está a moral? Onde está o respeito à coisa pública?

O que se vê é a institucionalização do privilégio, a naturalização do nepotismo travestido de legalidade e o uso de estruturas do Estado como extensão de interesses familiares. Não se trata apenas de uma escolha política, é um símbolo claro de como se distorce o sentido da função pública.

Mudar pra que?


Mudar nomes históricos e centenários de ruas e praças, sob justificativas frágeis e seletivas, soa menos como um gesto de justiça e mais como um movimento inócuo e, não raro, revanchista.

A história não se apaga por decreto. Não se reescreve com placas novas nem se corrige o passado com canetadas apressadas. Ao contrário: preservar nomes, marcos e referências, mesmo os controversos, é também preservar a memória, com seus acertos e seus erros, para que sirva de aprendizado às gerações futuras.

Enquanto isso, problemas reais e urgentes seguem à espera de ação concreta: a miséria que cresce nas cidades, a violência que avança, a saúde que clama por estrutura, a educação que pede prioridade. É nesse campo que se mede o compromisso verdadeiro com o interesse público.

Contrariedades com JHC


Ao se fazer de difícil e postergar a definição de sua candidatura, o prefeito JHC acabou produzindo um efeito colateral indesejado: inquietou aliados, gerou ruído político e abriu espaço para insatisfações que chegaram ao ponto de ameaça de abandono do projeto.

Na política, tempo é ativo estratégico. E a demora, quando não é bem calibrada, deixa de ser tática para se tornar fragilidade. A dúvida contamina, a indecisão desgasta e o silêncio, muitas vezes, fala mais alto do que qualquer discurso.

Aliados precisam de direção, não de expectativa. Precisam de segurança, não de especulação. Quando o comando hesita, a base se move e nem sempre na mesma direção.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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