LEVANTAMENTO
Rodovia onde ônibus com romeiros capotou tem a maior letalidade de Alagoas
AL-220 registrou 21 mortes em 93 sinistros entre janeiro e agosto de 2025
A AL-220, rodovia estadual onde um ônibus com romeiros capotou no dia de fevereiro, em São José da Tapera, é a rodovia estadual mais letal de Alagoas em termos proporcionais.
Os números do painel Indicadores, do Departamento Estadual de Trânsito de Alagoas (Detran-AL), indicam que a AL-220 já figurava como a rodovia estadual mais letal de Alagoas antes da tragédia que vitimou 16 pessoas.
Os dados mais recentes, consultados nesta sexta-feira, 13, indicam que foram registrados 93 sinistros na rodovia, com 21 mortes entre 1º de janeiro e 31 de agosto de 2025.
A taxa de letalidade é de 22,6%, a maior entre todas as rodovias estaduais no período. Isso significa que quase uma em cada 4,4 ocorrências na AL-220 termina em morte.
A AL-101 lidera em números absolutos, com 157 sinistros e 24 mortes no mesmo período, mas sua taxa de letalidade é de 15,3%, inferior à da AL-220. No total, as rodovias estaduais de Alagoas registraram 488 sinistros e 114 mortes entre janeiro e agosto deste ano.

Falhas humanas aparecem com frequência nos registros
Na AL-220, os tipos de sinistros mais frequentes neste ano foram:
- 28 colisões traseiras
- 19 colisões laterais
- 12 capotamentos
Entre as causas apontadas nos registros estão:
- Falta de atenção do condutor (25 casos)
- Não guardar distância de segurança (16)
Investigação busca esclarecer responsabilidades
O acidente com o ônibus que transportava romeiros deixou 16 mortos e é investigado pela Polícia Civil. Um laudo preliminar da Polícia Científica apontou que não foram identificados sinais de frenagem antes de o veículo sair da pista ao fazer uma curva e cair em uma ribanceira com mais de cinco metros de altura.
Peritos analisaram marcas na pista e na ribanceira, recolheram o tacógrafo para avaliação técnica e realizaram exames no sistema de freios. A Polícia Civil também extraiu os dados do GPS do ônibus, que devem indicar a rota e a velocidade registrada antes do capotamento.
Segundo a Polícia Civil, já foram ouvidos representantes da empresa proprietária do ônibus, organizadores da romaria e testemunhas. O motorista permanece internado e ainda não foi ouvido.



