O circo da política vai começar, gente!
As eleições de 2026 se avizinham e, com elas, o déjà-vu das promessas vazias e mentirosas. Os eternos candidatos lustram o verbo para realizar a mesmice de sempre: “mais saúde”, “mais educação”, “mais segurança”, “mais qualidade de vida”. Enquanto a mídia local se alvoroça em apresentar nomes, conchavos, brigas e fofocas, uma realidade dura e vergonhosa é convenientemente esquecida.
O pesadelo
Os rankings oficiais deveriam ser um alerta, mas viram tabu. Os números – muitas vezes distorcidos pela propaganda oficial – porém, gritam:
Maceió ostenta a 3ª pior qualidade de vida entre as capitais brasileiras, e a pior no Nordeste, segundo o Índice de Progresso Social (IPS) 2025. Fica à frente apenas de Macapá e Porto Velho.
Alagoas detém o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país.
O estado possui o maior índice de analfabetismo do país. E olha que não falamos das péssimas qualidades da saúde e da educação públicas ou da horrenda desigualdade social, que deveriam ser o centro do debate.
O eleitor-gado e o voto comprado
É neste cenário de tragédia social que o eleitor, em grande parte semianalfabeto e com a menor renda do país, se torna vítima fácil do crime eleitoral. O voto é transacionado a preço vil, sem que haja interferência efetiva para brecar o ciclo vicioso do clientelismo. A miséria é o principal ativo político dos criminosos de colarinho branco.
Meio século de inércia
No último meio século, por exemplo, alguém se lembra de uma proposta concreta, tecnicamente viável e de longo prazo para retirar Alagoas e Maceió do fosso econômico e social? Todos sabem a resposta: afora obras pontuais, nunca houve um Plano de Estado que reestruturasse a educação de base, que promovesse a vinda de empreendimentos de alto valor agregado ou, de romper com a dependência crônica do assistencialismo. A briga é para ganhar a eleição e, ato contínuo, pôr a mão nas emendas parlamentares criminosas e no butim do Estado e da Prefeitura.
A ruptura necessária
A sociedade e a mídia também são culpadas ao não exigir propostas concretas capazes de mudar este quadro com planos de metas claros, auditáveis, orçamentos detalhados e penalidades ao não cumprimento das promessas de campanha. Sem isso, vai continuar tudo como dantes no quartel de Abrantes.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



