Banco Master e a Venezuela: o poder pode
No meu último artigo sobre a “invasão” americana à Venezuela, vaticinei: “Ainda vai passar muita água por debaixo dessa ponte”. Pois bem: muito antes do ataque militar dos Estados Unidos dirigido à captura de Nicolás Maduro, o governo americano já mantinha conversas com o setor chavista ligado ao petróleo sobre a tunga americana do petróleo em substituição à China e Rússia, até então os controladores do setor em conluio com os chavistas.
O objetivo era se apossar da indústria petroleira venezuelana sem romper com o regime. Maduro só foi preso porque aceitava abrir o setor, mas queria tempo para organizar sua saída; Trump exigia retirada imediata. O impasse levou ao ataque. Com Maduro capturado, Delcy Rodríguez assumiu seu lugar e ampliou os canais abertos com os americanos. Sua postura “pragmática” reforçou a percepção de que o chavismo corrupto e dilapidador da Venezuela seria o melhor interlocutor para qualquer acordo que levasse os americanos à posse do petróleo do país.
A oposição, representada por Maria Corina Machado, foi descartada. O futuro de vassalagem aos americanos está sendo decidido distante dos interesses do país.
Esse modelo já foi “testado” na própria Venezuela desde sempre e antes do chavismo, com governos títeres dos americanos que dilapidaram a Venezuela e resultando em coisa pior, o chavismo. É o mesmo filme, a associação dos americanos aos chavistas para continuarem a roubar os bens dos venezuelanos. É, pelo andar da carruagem, a água debaixo da ponte será veneno...
O teatro das negociatas: o caso Master
Quando um banco entra em colapso, a lógica é proteger o sistema financeiro e os depositantes. Mas no Brasil o que se vê no caso do Master é uma corrida desesperada de autoridades com vínculos profundos com a instituição para salvar as suas peles. Ministros do STF e do TCU lutam pelo protagonismo para a suspensão da liquidação do banco. É preciso evitar expor suas conexões perigosas.
O mercado financeiro envolvido até o pescoço pressiona por proteção aos seus ativos podres do Master, ainda que isso signifique o prejuízo para a sociedade. Políticos com relações históricas com o Master atuam como lobistas disfarçados de defensores da “estabilidade”, quando se sabe que esse “esforço” é para blindar nomes e carreiras ameaçadas pela queda do banco.
É o Brasil sendo Brasil: com dinheiro e poder em jogo, os poderosos se movem para proteger a si mesmos. O caso Master não é sobre um banco falido. É sobre negociatas que violentam o interesse público em detrimento do privado. Quando essa bandalha vai parar?
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



