Jornalista, escritor, colunista do Jornal Extra, da Gazeta de Alagoas e da Tribuna do Sertão, além de presidente do Instituto Cidadão.

Conteúdo Opinativo

Nikolas Ferreira e Renan Filho, a busca de holofotes

20/01/2026 - 17:11
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Renan Filho e Nikolas Ferreira parecem cada vez mais se encontrar no mesmo espelho da política-espetáculo. Ambos cultivam uma presença obsessiva nas redes sociais, vivem da superexposição e da exaltação permanente do próprio ego, como se a política fosse menos um espaço de responsabilidade pública e mais um palco para performances diárias em busca de curtidas, seguidores e aplausos fáceis.

O ministro dos Transportes, Renan Filho, ignora solenemente as graves denúncias de desvios de conduta e suspeitas de irregularidades no DNIT, órgão estratégico do seu ministério e historicamente comandado por um aliado e afilhado político de décadas. Em vez de enfrentar com transparência e rigor as acusações, prefere investir em marketing pessoal, vídeos bem editados, discursos ensaiados e uma narrativa de eficiência que pouco dialoga com a realidade de obras atrasadas, mal executadas e contratos sob questionamento.

Nikolas Ferreira, por sua vez, transformou a política em militância digital permanente. Vive do confronto, da provocação e da teatralização ideológica. Agora, anuncia uma caminhada até Brasília para pedir prisão domiciliar para Jair Bolsonaro, numa encenação calculada para gerar engajamento, vitimização e mobilização de sua base, ainda que juridicamente inócua e politicamente oportunista.

Renan Filho responde com outra encenação: passa a percorrer estradas e obras federais na boleia de caminhões, filmando buracos, promessas e máquinas, como se estivesse fiscalizando aquilo que é, em última instância, responsabilidade direta do próprio ministério que comanda. O gesto soa menos como gestão e mais como marketing, menos como cobrança institucional e mais como construção de imagem para as redes.

No fundo, ambos operam a mesma lógica: transformar problemas reais em conteúdo, crises em palco e a administração pública em cenário para autopromoção. Um marcha a pé em defesa de um líder condenado; o outro viaja sobre asfalto malfeito fingindo surpresa com aquilo que deveria ter resolvido. 

Diferentes discursos, mesma vaidade. Diferentes campos ideológicos, a mesma obsessão por holofotes. Muito parecidos, afinal, na política que troca responsabilidade por performance e governo por espetáculo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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