O espetáculo deplorável: o Brasil que os candidatos ‘esquecem’ existir
As máquinas de propaganda já aquecem os motores para mais um ciclo eleitoral, mas o roteiro parece tragicamente repetido. O que vemos nas telas e palanques é a consolidação de uma política de entretenimento rasteiro, onde o ataque pessoal e a coreografia ideológica substituem, com requintes de crueldade, o debate sobre o que realmente dói no cotidiano do cidadão. Enquanto candidatos se digladiam em bolhas digitais por “cortes” de redes sociais, o país real segue em estado de suspensão.

O abismo entre o discurso e a prática
A pauta de costumes e a demonização do adversário servem como cortina de fumaça para esconder feridas abertas que não recebem o devido tratamento. O eleitor, exausto, assiste a uma disputa de narrativas enquanto os problemas estruturais são empurrados para debaixo do tapete.
;A exaustão da dualidade estúpida
O sentimento que ecoa nas ruas é de uma profunda desesperança. O brasileiro, sequestrado por uma dualidade estúpida numa lógica binária — que beneficia apenas as cúpulas partidárias — anula a autocrítica e petrifica o progresso, anseia pelo fim desse estado de guerra simbólica que impede a construção de um projeto de nação minimamente coeso.
Se não formos capazes de romper o feitiço dessa polarização fabricada e exigir que os problemas reais voltem ao centro do palco, as urnas não entregarão mudança, mas apenas mais dos mesmos, com uma nova data de validade. O Brasil não precisa de salvadores que apontem dedos ou de mitos ladravazes; precisa de gestores que saibam usar as mãos para reconstruir o que o ódio demoliu e e a cabeça em prol da Nação.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



