Banco Master, o maior escândalo financeiro do país atinge Alagoas
O escândalo do Banco Master escancara mais do que um caso isolado de corrupção: revela um sistema apodrecido, em que instituições públicas, agentes políticos, operadores financeiros e setores do Judiciário se entrelaçam num pacto silencioso de proteção mútua. Como bem observou Rui Guerra, em seu brilhante texto no Resumo Político, “o Banco Master deixou de ser apenas um banco sob suspeita, para se tornar símbolo de algo muito mais grave, a normalização do assalto institucional aos recursos públicos no Brasil” não estamos diante de um erro técnico, mas de um modelo”.
A captura do Estado por interesses privados, que transformou o dinheiro público em mercadoria de balcão e as estruturas de controle em meros enfeites institucionais. Em Alagoas, os tentáculos dessa engrenagem são visíveis, ainda que muitos se esforcem para mantê-los escondidos sob o tapete da censura e do medo.
Órgãos públicos, figuras políticas de relevo e operadores de bastidores aparecem, direta ou indiretamente, no rastro dessa putrefata história, que alguns jornalistas estão impedidos de contar por decisões judiciais que afrontam a Constituição, confundem crítica com crime, opinião com ofensa, e tratam a liberdade de imprensa como concessão, não como direito fundamental.
Quando um juiz tenta calar a investigação jornalística, não protege a honra de ninguém: protege, consciente ou inconscientemente, a opacidade do poder e a impunidade dos que saqueiam. O silêncio imposto não é neutro; ele é cúmplice. Cada mordaça colocada na imprensa fortalece os porões onde prosperam os esquemas, os contratos viciados, as emendas desviadas, as relações promíscuas entre bancos, governos e políticos que aprenderam a operar longe da luz pública.
A censura, travestida de decisão judicial, torna-se parte do próprio escândalo, pois sem informação não há controle social, sem controle não há democracia, e sem democracia o roubo vira método de governo.
O caso é grave demais para ser tratado como nota de rodapé ou disputa de versões. O país quer saber — e tem o direito de saber — quem roubou, quanto roubou, por quais caminhos o dinheiro escorreu e quem foram os beneficiários finais desse assalto institucional. Quer saber também por que tantos se calam, por que tantos se escondem atrás de sigilos, liminares e decisões monocráticas, e por que os órgãos que deveriam investigar com rigor agem com lentidão ou complacência.
Não se trata apenas de um banco, mas de um sistema que adoeceu a República. Um sistema em que a corrupção deixou de ser exceção para se tornar engrenagem, em que a ilegalidade se normalizou e em que o Estado, capturado, passa a servir a poucos em detrimento de milhões. Romper esse ciclo exige imprensa livre, Judiciário comprometido com a Constituição, e uma sociedade que não aceite mais que a verdade seja sequestrada junto com o dinheiro público
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



