colunista

Elias Fragoso

Economista, foi prof. da UFAL, Católica/BSB, Cesmac, Araguaia/GYN e Secret. de Finanças, Planej. Urbano/MCZ e Planej. do M. da. Agricultura/DF e, organizador do livro Rasgando a Cortina de Silêncios.

Conteúdo Opinativo

A epidemia das pesquisas encomendadas


O cidadão brasileiro já carrega nas costas um fardo que beira o insuportável. Entre o peso de impostos abusivos, taxas que se multiplicam a cada amanhecer, a ausência de segurança pública básica e serviços estatais cada vez mais precários, o trabalhador agora precisa blindar sua mente contra uma nova e perniciosa praga: a epidemia de pesquisas de opinião flagrantemente fajutas. Não bastasse a asfixia financeira e social diária, o eleitor é obrigado agora a suportar um ataque direto à sua inteligência por meio de fraudes fantasiadas de estatística, que servem apenas para alimentar um teatro de fantoches moralmente falido e covarde.

O mecanismo por trás desse verdadeiro estelionato eleitoral funciona com uma simplicidade canalha. O político sem escrúpulos procura o proprietário de um instituto de fachada e, pagando uma autêntica ninharia a quem passa fome de ética, encomenda uma planilha customizada com os números exatos que atendem aos seus interesses pessoais.
Com a pesquisa apócrifa comprada em mãos, o político aciona suas penas alugadas na imprensa militante e nas redes sociais para reverberar a mentira como se fosse verdade científica, sem que nenhum desses mercenários da informação se preocupe em investigar a efetiva origem ou a metodologia daqueles dados fabricados.

Essa farsa é retroalimentada por uma leniência vergonhosa do próprio sistema. Quando a Justiça Eleitoral finalmente age e proíbe a divulgação do material fraudulento, o estrago na opinião pública já foi consolidado, pois a mentira já circulou livremente, foi digerida e contaminou o debate. É essa impunidade generalizada e cínica que dá oxigênio para que o ciclo corrupto continue girando sem qualquer punição real para os falsários.

O cidadão precisa acordar e enxergar a realidade nua e crua das ruas, e não o delírio comprado em soturnas negociatas. O único dado real, concreto e irrefutável neste momento é que cerca de 70% do eleitorado ainda não definiu em quem votar, ou sequer se irá perder o seu tempo comparecendo às urnas. Há uma massa silenciosa que simplesmente despreza o cardápio que está posto e a outra parte dela sem saber como agir, votar.

Portanto, o alerta que precisa ser feito de forma direta: não se deixe influenciar por essa avalanche de lixo estatístico encomendado. Essa engrenagem fraudulenta só tem poder se você aceitar o jogo de cartas marcadas deles. Ignorar solenemente esses números encomendados e os mercenários que os divulgam é o primeiro ato de legítima defesa do cidadão contra essa corja. A força real não está nos gabinetes dos corruptos ou nas planilhas dos institutos vendidos. Está com você.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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