É professor adjunto da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e cirurgião especializado em cirurgia digestiva. Graduou-se em medicina pela Ufal (1980) e é mestre em gastroenterologia cirúrgica pela Escola Paulista de Medicina/Unifesp. Atua como docente e cirurgião na área de cirurgia digestiva da Ufal.

Conteúdo Opinativo

Qual a solução para o Brasil?

20/03/2026 - 18:01
Atualização: 20/03/2026 - 16:21
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Texto de Ricardo Nogueira – médico e prof.da Ufal

Somos um povo que vive de pequenos trabalhos chamados biscates, daí dizer-se que fulano sobrevive de bicos e é, portanto, um biscateiro. A grande maioria da população não tem conhecimento algum do seu ofício. E como o faz? Faz porque viu fazer, porque escutou sobre e, então, decidiu tentar. Somos um povo inteligente, mas inteligência apenas não basta; urge preparo técnico.

Muitos enveredam pelo caminho mais fácil: atividades ilícitas, como roubos, crimes e tráfico de drogas, de modo que hoje o Brasil tem a 3ª maior população carcerária do planeta. Por que será? Porque grande parte do nosso povo é literalmente abandonada pelos governos. Assim, tornam-se presas fáceis do narcotráfico, que os transforma em marginais.

Para sairmos desse atoleiro, carecemos de conscientizar a população da imprescindibilidade de um modelo de capacitação para todos os brasileiros, crianças e adultos.

O foco deverá ser a faixa etária de 0 a 3 anos, começando, portanto, por instruir as mães e, em seguida, atuar em creches educativas, o que exigirá profissionais especializados para aproveitar o período em que os cérebros estão frescos e, portanto, aptos à alfabetização e à fixação de informações relevantes, que guiarão esses menores por toda a existência, inclusive no aprendizado de línguas estrangeiras, que passarão a falar sem quaisquer sotaques.

A partir dos 4 anos, faz-se imprescindível uma formação sempre voltada para a prática e em tempo integral, ministrada não por simples aprendizes de professores, mas por educadores qualificados.

O que se constata neste país é o desperdício de cérebros, com crianças chegando às escolas aos 7 ou 9 anos, tendo, assim, perdido quase uma década.

Todos os cursos deverão ser profissionalizantes, tendo sempre em vista o porquê de todos os ensinamentos. Por exemplo: qual a razão de aprendermos análise sintática? Por que aprender a extrair a raiz quadrada de determinado número?

Do ensino atual ministrado no Brasil, os indivíduos só irão utilizar 5% no seu cotidiano. Então, 95% do que é repassado aos alunos mostra-se rigorosamente inútil.

Nossas autoridades pedagógicas ainda não perceberam que, em aulas meramente teóricas, a atividade cerebral dos estudantes é menor do que aquela de quando estão dormindo. Ensinamento desvinculado de sua aplicação prática não tem serventia.

Como exemplo, temos a professora Débora Garofalo, que foi dar aulas em uma escola municipal no extremo sul de São Paulo, uma área marcada pela desigualdade e pela violência. Seu intuito era fazer projetos inovadores, capazes de levar tecnologia para o ambiente escolar, mas não sabia como. Recebeu relatos sobre montes de lixo nas ruas do entorno.

Com os alunos, trouxe o material descartado e, com ele, construiu robôs em forma de brinquedos. Aplicou conceitos das aulas de matemática e ciências para produzir suas invenções. Além dos ganhos de aprendizado, verificou mudanças de comportamento, como disciplina e autoestima. Os alunos passaram a externar o desejo de entrar na universidade.

Assim, a mestra mostrou que a educação abre portas na vida das pessoas.

Qual a solução para o Brasil? Qualificar os brasileiros.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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