É professor adjunto da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e cirurgião especializado em cirurgia digestiva. Graduou-se em medicina pela Ufal (1980) e é mestre em gastroenterologia cirúrgica pela Escola Paulista de Medicina/Unifesp. Atua como docente e cirurgião na área de cirurgia digestiva da Ufal.

Conteúdo Opinativo

Retarde o seu envelhecimento

20/02/2026 - 14:09
Atualização: 20/02/2026 - 14:11
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Texto de Ricardo Nogueira, médico e professor da Ufal

Pesquisas neurológicas da Universidade Harvard, capitaneadas pelo Prof. Rudolph Tanzi, a nós nos mostram que podemos moldar conscientemente nossos cérebros para desenvolver capacidades, e, assim, melhorar nosso próprio bem-estar. Tanzi idealizou um plano de intervenção no estilo de vida em prol da saúde cerebral, que enfatiza a importância do sono, do controle do estresse, da interação com outras pessoas, do exercício físico, da alimentação saudável e do aprendizado.

Uma vez obedecendo a essas etapas, iremos nos manter mentalmente alertas, fisicamente ativos e profundamente envolvidos com o nosso trabalho. Recomendações quanto ao sono: deve-se dormir de sete a oito horas por noite. Um descanso adequado é essencial para o funcionamento do cérebro. Ao dormir, não apenas consolidamos memórias, mas também eliminamos toxinas cerebrais. Cada vez que se entra em sono profundo, acontece como que um ciclo de limpeza em todo o cérebro. Caso o indivíduo haja dormido apenas cinco ou seis horas, recomendam-se cochilos rápidos. Mesmo sonos curtos são reparadores.

Urge minimizarmos o estresse crônico, que está associado à produção de cortisol, substância química tóxica para o cérebro, que leva ao declínio da aprendizagem. A estratégia preferida para lidar com o estresse é a meditação. Especialistas em saúde pública e médicos apontam o estresse como um dos principais motivos pelos quais os americanos vivem menos do que outros povos. A solidão está associada a um risco maior de doenças neurodegenerativas. A interação com amigos é imprescindível. Mantenha, portanto, uma vida social ativa. Esse é o tipo de estímulo de que o cérebro gosta. Precisamos interagir semanalmente com pessoas que não sejam colegas de trabalho, nem familiares que moram na mesma casa.

Atividade física deve ser praticada regularmente para aumentar o fluxo sanguíneo cerebral e fomentar o crescimento de novas conexões neurais. Os exercícios físicos têm duas ações no cérebro: induzem à neurogênese, ou seja, o nascimento de novas células nervosas, e também aceleram o fluxo sanguíneo muscular. O professor Tanzi, após longos estudos, afirma: para cada mil passos que damos, o desenvolvimento da Doença de Alzheimer é retardado em um ano. O cérebro também deve ser desafiado; devemos experimentar novas atividades para fortalecer as vias neurais. Aprender coisas novas cria novas conexões chamadas sinapses. Elas formam uma rede neural que armazena todas as nossas memórias. A demência ocorre quando as sinapses se deterioram.

Por fim, precisamos adotar uma dieta que favoreça as bactérias do nosso microbioma. Quando estão equilibradas, criam metabólitos intestinais que ajudam a eliminar a placa amiloide, responsável pela Doença de Alzheimer. Deve-se dar preferência à Dieta Mediterrânea, rica em frutas, verduras e azeite de oliva. Quanto à sobremesa, recomendam-se frutas, como pera, maçã, abacate. Segundo o professor Tanzi, as bactérias do intestino adoram alimentos crocantes, contanto que não sejam batatas fritas. Optem, então, por nozes, amêndoas, castanhas-do-pará, avelãs, pistaches, etc. A recomendação mais relevante é beber água várias vezes ao dia, mesmo sem sentir sede. Lembrem-se desta verdade: idoso raramente sente sede.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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