Angelita Habr-Gama: “Põe o quanto és no mínimo que fazes”
Esta foi a bandeira que guiou a magnífica cirurgiã e professora, por uma vida inteira. “Para ser grande, sê inteiro. Pois a lua, no lago todo brilha, porque alta vive.” (Fernando Pessoa, 1933).
Assim, altaneira, Angelita se derramou sobre seus pacientes e alunos de pós-graduação e graduação médicas. Partiu no último sábado de maio (30) sem antes deixar sua majestosidade expressa: inteligência e coragem. “Que desligassem todas as máquinas, depois de intuir o final após um mês de UTI”.
E nos deixou para aumentar a constelação dos ícones da cirurgia nacional. Espraiava sobre todos estímulos, generosidade e esperança desmedidas. Quebrando paradigmas, foi a primeira mulher a conquistar uma vaga na residência médica de cirurgia, a primeira Titular de Cadeira Cirúrgica na Universidade de São Paulo e está entre os 2% de pesquisadores mundiais, segundo a Universidade de Stanford (EUA). Sua maior contribuição foi o criar o protocolo “Watch and waiting” (olhar e aguardar a evolução do tratamento), para evitar a colostomia definitiva nos doentes de câncer de reto. Método incorporado no mundo inteiro.
Pontificou no Hospital das Clínicas da USP e na rede privada. E quando, em 2000, eu a trouxe a Maceió para presidir julgamento de trabalhos científicos do Prêmio Prof. Rodrigo Ramalho, no Jubileu de Ouro da Faculdade de Medicina de Alagoas/Ufal, premida pela simplicidade, ela se enobreceu: – João, é outro lugar no set que faço com extremo gosto! Ela que jogava no palco internacional.
“Eu me dou à vida e a vida se me dá. Somos efêmeros. Não somos nada. A vida talvez seja uma memória: dos instantes felizes e amargos que se exaurem. Passam.”
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



