DADOS DO MTE

Empresas alagoanas aparecem em 'lista suja' de trabalho escravo; veja quais

Seis empregadores alagoanos estão no documento divulgado nesta semana
MPTAL
Pedreira localizada em Ouro Branco aparece na lista suja divulgada pelo MTE
Pedreira localizada em Ouro Branco aparece na lista suja divulgada pelo MTE

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) incluiu mais três empresas de Alagoas na "lista suja", como é conhecido o Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão. O documento foi divulgado nesta sexta-feira, 5.

No total, 35 trabalhadores em condições análogas à escravidão foram flagrados nos três locais que entraram para a lista. Os empregadores são uma empresa de construção civil que está localizada em Marechal Deodoro, uma pedreira que fica em Ouro Branco e um terceiro empregador em Murici.

Veja a relação de empregadores:

ANDARIZ ARQUITETURA E CONSTRUCAO LTDA (MARECHAL DEODORO): 9 trabalhadores envolvidos. Adicionado à lista suja em 05/04/2024

— GILMAR CABRAL DA SILVA (OURO BRANCO): 17 trabalhadores envolvidos. Adicionado à lista suja em 05/04/2024

— JOSE MENDES DE AMORIM (MURICI): 9 trabalhadores envolvidos. Adicionado à lista suja em 05/04/2024

— GAVAMA CONSTRUÇÕES LTDA (MARECHAL DEODORO): 5 trabalhadores envolvidos. Adicionado à lista suja em 05/10/2023

— JOSE ALFREDO DOS SANTOS (JOAQUIM GOMES): 1 trabalhador envolvido. Adicionado à lista suja em 05/10/2023

— JOSÉ CORREIA LIMA FILHO (FLEXEIRAS): 5 trabalhadores envolvido. Adicionado à lista suja em 05/10/2023

O EXTRA entrou em contato com a Andariz Arquitetura e Construção LTDA e com José Mendes de Amorim, mas não obteve resposta até a última atualização desta matéria. A reportagem não conseguiu contato com Gilmar Cabral da Silva. O espaço segue aberto.

Os empregadores incluídos na lista suja foram identificados a partir das ações de fiscalização de auditores do trabalho do MTE, que atestaram as condições de trabalho análogo à escravidão. Clique aqui para acessar o documento com a lista completa.

Em geral, essas ações contam com a participação de representantes da Defensoria Pública da União, Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho, da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e outras forças de segurança.

A iniciativa da lista suja existe desde 2004, mas sofreu impasses nos governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL). A divulgação dela chegou a ser suspensa de 2014 a 2016, até que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a constitucionalidade do documento.

A lista suja é atualizada a cada seis meses. Os nomes dos empregadores só são adicionados ao cadastro após a conclusão do processo administrativo que julgou o caso, com uma decisão sem possibilidade de recurso. Além disso, cada nome permanece publicado por um período de dois anos.

No total, 248 empresas em todo o país entraram para a relação divulgada nesta sexta-feira, 5. O número representa o maior acréscimo registrado desde a criação da lista. 

As atividades econômicas com maior número de empregadores incluídos na atualização corrente são: trabalho doméstico (43), cultivo de café (27), criação de bovinos (22), produção de carvão (16) e construção civil (12).

Como denunciar

Denúncias sobre trabalho análogo à escravidão podem ser feitas anonimamente pelo Sistema Ipê Trabalho Escravo, criado em 2020 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo MTE.

A plataforma digital é exclusiva para receber denúncias deste tipo de exploração da mão-de-obra e sobre a intermediação ilegal de agenciadores de trabalhadores, conhecidos como gatos.

Se possível, o denunciante deve prestar o máximo de informações para aumentar as chances de os casos se desdobrarem em operações de fiscalização.

São informações consideradas importantes o nome do estabelecimento, local, a quantidade de trabalhadores, os tipos de violações de direitos encontradas, entre outras.

O Sistema Ipê tem versões em espanhol, francês e inglês para melhor atender aos trabalhadores migrantes de outras nacionalidades.

Outra via para denunciar violações de direitos humanos é o Disque 100, a central telefônica coordenada pelo Ministério de Direitos Humanos e Cidadania (MDHC). O serviço é gratuito e funciona sete dias por semana, 24 horas por dia.


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