Controle biológico
Arapiraca usa mosquitos para combater dengue, zika e chikungunya
Método Wolbachia começa em 24 bairros e deve alcançar 118 mil moradores
A Prefeitura de Arapiraca iniciou nesta quarta-feira (4) a soltura dos Wolbitos, mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia e são utilizados como estratégia de longo prazo para reduzir a transmissão de dengue, zika e chikungunya.
A Wolbachia é uma bactéria presente em cerca de 50% dos insetos, inclusive em alguns mosquitos. No entanto, não é encontrada naturalmente no Aedes aegypti. Quando presente neste mosquito, a Wolbachia impede que os vírus da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela urbana se desenvolvam dentro dele, contribuindo para redução destas doenças.
A primeira etapa da ação foi realizada com sucesso e marca o avanço da implantação da tecnologia no município. O Método Wolbachia é eficaz e considerado uma estratégia de controle biológico promissora e segura.
A iniciativa é coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com o Ministério da Saúde, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), a Wolbito do Brasil e o World Mosquito Program (WMP).
Nesta primeira fase, a ação será implantada em 24 bairros prioritários de Arapiraca, alcançando aproximadamente 118 mil habitantes. A estratégia consiste na liberação de mosquitos que carregam a bactéria Wolbachia para que se reproduzam com os Aedes aegypti estabelecendo, aos poucos, uma nova população destes mosquitos, todos com a bactéria que combate os vírus das doenças.
Com o passar das gerações, a expectativa é que a bactéria se estabeleça na população local de mosquitos, contribuindo para diminuir a circulação das doenças e fortalecer as ações de combate às arboviroses no município.
No país, o Método Wolbachia é conduzido pela Fiocruz, financiado pelo Ministério da Saúde, com apoio de governos locais. As ações iniciaram no Rio de Janeiro (RJ) e em Niterói (RJ), em uma área que abrange um milhão e 300 mil habitantes. Em Niterói, dados preliminares já apontam redução de até 77% dos casos de dengue e 60% de chikungunya nas áreas que receberam os Aedes aegypti com Wolbachia, quando comparado com áreas que não receberam.



