O câncer da corrupção em metástase
O Brasil atravessa um estágio de alta deterioração moral onde a corrupção deixou de ser um desvio de conduta para se tornar o próprio motor do sistema. O diagnóstico é de uma metástase generalizada que infectou cada poro do poder. O país agoniza em um ambiente de baixa responsabilização, onde o interesse público foi fatiado por uma quadrilha institucionalizada que une o público, o privado e o judiciário em um pacto de rapina.
1. O Assalto Institucional: Executivos e Legislativos
A engrenagem primária do saque ao erário opera nos Três Níveis de Governo. O que se observa é uma simbiose predatória:
Os Executivos (Federal, Estadual e Municipal): Como ordenadores de despesas, são os donos da "canetada" que viabiliza o crime. No nível federal, ministérios operam balcões de negócios; nos estados e municípios, governadores e prefeitos direcionam contratos de saúde, asfalto e transporte para empresas de fachada. Eles transformaram mandatos em ferramentas de enriquecimento ilícito e manutenção de currais eleitorais fétidos.
Os Legislativos e as Emendas: O sistema de Emendas de Relator (RP9)
e Emendas Pix criou um fluxo de bilhões sem rastro. Parlamentares criam a verba opaca e o Executivo a libera, fechando o ciclo do desvio que irriga a política com dinheiro público sangrado.
2. A Lavanderia do Mercado e o Lobby das Entidades
A deterioração não ocorreria sem o suporte do "andar de cima":
O Mercado Financeiro: Executivos de grandes instituições e corretoras provêm a engenharia de ocultação necessária. Eles ignoram deliberadamente a origem do capital, permitindo que o dinheiro desviado e o lucro dos barões das drogas sejam integrados ao sistema global. A lavagem de ativos e a fraude contábil são tratadas como riscos calculados em prol de lucros obscenos.
Entidades de Classe: Federações e associações atuam como o braço de lobby da impunidade. Aliadas ao processo, pressionam por desregulamentações que facilitam a fraude e vendem uma imagem de "desenvolvimento" para esconder o financiamento de campanhas com dinheiro sujo.
3. As Altas Cortes e o Teatro Eleitoral
O estágio terminal da metástase ocorre onde deveria haver justiça:
Altas Cortes: O escudo final. Onde o tráfico de influência e a suspeita de venda de sentenças institucionalizam a impunidade seletiva. Quando a última instância torna-se um mercado, a lei serve apenas aos descalços; para os potentes, a sentença é mercadoria.
As Eleições: Um show de horrores e mentiras. É o momento em que o dinheiro sujo purifica mandatos. Candidatos financiados por essa rede inundam o debate com promessas vãs, visando apenas a reeleição para manter o foro privilegiado e a continuidade do saque.


Conclusão: O Império da Imoralidade
O diagnóstico final é de uma nação onde a ética foi exilada. Entre a canetada do Executivo que libera a verba, o Legislativo que cria a emenda, o Mercado que lava o dinheiro e o Juiz que blinda o esquema, o cidadão é apenas um detalhe estatístico. A corrupção paira por todo o país porque ela se tornou o único contrato social vigente entre as elites. O Brasil agoniza sob mandatos e sentenças fétidas, em uma estrutura desenhada para que a metástase avance sobre qualquer tentativa de integridade.
O Brasil virou sinônimo de corrupção, leniências, anomias e prevaricações
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



