colunista

Elias Fragoso

Economista, foi prof. da UFAL, Católica/BSB, Cesmac, Araguaia/GYN e Secret. de Finanças, Planej. Urbano/MCZ e Planej. do M. da. Agricultura/DF e, organizador do livro Rasgando a Cortina de Silêncios.

Conteúdo Opinativo

O câncer da corrupção em metástase

22/02/2026 - 08:07
Atualização: 22/02/2026 - 08:22
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O Brasil atravessa um estágio de alta deterioração moral onde a corrupção deixou de ser um desvio de conduta para se tornar o próprio motor do sistema. O diagnóstico é de uma metástase generalizada que infectou cada poro do poder. O país agoniza em um ambiente de baixa responsabilização, onde o interesse público foi fatiado por uma quadrilha institucionalizada que une o público, o privado e o judiciário em um pacto de rapina.

1. O Assalto Institucional: Executivos e Legislativos

A engrenagem primária do saque ao erário opera nos Três Níveis de Governo. O que se observa é uma simbiose predatória:
Os Executivos (Federal, Estadual e Municipal): Como ordenadores de despesas, são os donos da "canetada" que viabiliza o crime. No nível federal, ministérios operam balcões de negócios; nos estados e municípios, governadores e prefeitos direcionam contratos de saúde, asfalto e transporte para empresas de fachada. Eles transformaram mandatos em ferramentas de enriquecimento ilícito e manutenção de currais eleitorais fétidos.

Os Legislativos e as Emendas: O sistema de Emendas de Relator (RP9)
e Emendas Pix criou um fluxo de bilhões sem rastro. Parlamentares criam a verba opaca e o Executivo a libera, fechando o ciclo do desvio que irriga a política com dinheiro público sangrado.


2. A Lavanderia do Mercado e o Lobby das Entidades

A deterioração não ocorreria sem o suporte do "andar de cima":

O Mercado Financeiro: Executivos de grandes instituições e corretoras provêm a engenharia de ocultação necessária. Eles ignoram deliberadamente a origem do capital, permitindo que o dinheiro desviado e o lucro dos barões das drogas sejam integrados ao sistema global. A lavagem de ativos e a fraude contábil são tratadas como riscos calculados em prol de lucros obscenos.

Entidades de Classe: Federações e associações atuam como o braço de lobby da impunidade. Aliadas ao processo, pressionam por desregulamentações que facilitam a fraude e vendem uma imagem de "desenvolvimento" para esconder o financiamento de campanhas com dinheiro sujo.

3. As Altas Cortes e o Teatro Eleitoral

O estágio terminal da metástase ocorre onde deveria haver justiça:

Altas Cortes: O escudo final. Onde o tráfico de influência e a suspeita de venda de sentenças institucionalizam a impunidade seletiva. Quando a última instância torna-se um mercado, a lei serve apenas aos descalços; para os potentes, a sentença é mercadoria.

As Eleições: Um show de horrores e mentiras. É o momento em que o dinheiro sujo purifica mandatos. Candidatos financiados por essa rede inundam o debate com promessas vãs, visando apenas a reeleição para manter o foro privilegiado e a continuidade do saque.

Conclusão: O Império da Imoralidade

O diagnóstico final é de uma nação onde a ética foi exilada. Entre a canetada do Executivo que libera a verba, o Legislativo que cria a emenda, o Mercado que lava o dinheiro e o Juiz que blinda o esquema, o cidadão é apenas um detalhe estatístico. A corrupção paira por todo o país porque ela se tornou o único contrato social vigente entre as elites. O Brasil agoniza sob mandatos e sentenças fétidas, em uma estrutura desenhada para que a metástase avance sobre qualquer tentativa de integridade.

O Brasil virou sinônimo de corrupção, leniências, anomias e prevaricações

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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