Jornalista, escritor, colunista do Jornal Extra, Tribuna do Sertão e presidente do Instituto Cidadão.

Conteúdo Opinativo

27 anos de coragem impressa

29/11/2025 - 06:00
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Há jornais que informam. Há jornais que divertem. E há jornais que incomodam e são justamente esses que movem a democracia para frente. O Jornal EXTRA, que completa 27 anos, pertence a essa categoria nobre e perigosa: a imprensa que não aceita ser domesticada, que não se curva a conveniências, que escolhe a denúncia quando muitos preferem o silêncio.

Acompanho essa história desde o começo. Comecei a escrever para o EXTRA logo após seu lançamento, quando ainda pairava no ar a desconfiança típica que ronda qualquer veículo que ousa enfrentar estruturas políticas consolidadas. Era um Brasil diferente, mas com velhos vícios idênticos.

E foi justamente nesse ambiente que o EXTRA fez seu juramento: não negociar com a verdade, não se esconder da crítica, não temer o poder. Ali percebi que não era apenas mais um jornal, era uma trincheira.

Ao longo deste caminho, assistimos a ciclos inteiros da vida política de Alagoas e do Brasil: governos que ascenderam sob aplausos e ruíram sob investigações; gestores que prometeram moralidade e produziram escândalos; líderes que se disseram salvadores e viraram réus; alianças que floresceram ao sol e murcharam às sombras do próprio pecado. Em todos esses momentos, o EXTRA esteve lá, firme, vigilante, às vezes afrontoso, sempre necessário.

E nesse percurso, há algo que sempre fiz questão de registrar: em 27 anos, nunca tive uma única linha censurada. Não houve pedido de amenizar crítica, não houve recado atravessado, não houve toque de recolher editorial. Isso não é comum, é exceção, é raridade, é marca de origem.

Essa liberdade irrestrita tem um nome por trás: Fernando Araújo, jornalista da velha guarda, mestre da persistência, parceiro de jornada e soldado veterano da notícia. Um profissional que vive da palavra e para a palavra, que nunca teve medo da repercussão, que sempre acreditou que jornalismo de verdade é o que encara, não o que adula. Seu comando editorial é feito de coragem, lealdade e teimosia, a teimosia essencial de quem se recusa a permitir que a verdade seja negociada.

O Jornal EXTRA é polêmico porque precisa ser. É ruidoso porque o silêncio seria cumplicidade. É inquieto porque a calmaria, em certos ambientes, cheira a acordo. É temido porque não deve favores. E é respeitado, até por quem ele atinge porque, ao longo de 27 anos, construiu reputação de independência, algo que não se compra nem se improvisa.

Celebrar este aniversário é, portanto, celebrar um projeto de imprensa que resistiu a pressões, a ameaças veladas, a mudanças de governo, a perseguições políticas e, sobretudo, a tentações. Num país onde tantos veículos se perderam em conchavos, o EXTRA permaneceu EXTRA, fiel ao nome, fiel à missão, fiel ao leitor.

E é por isso que este marco tem peso. Porque não estamos falando apenas de um jornal que chega aos 27 anos. Estamos falando de 27 anos de coragem impressa, de cidadania defendida, de denúncias que mudaram rumos, de opiniões que irritaram poderosos, de editoriais que ecoaram na República.

Seguiremos assim, inquietos, vigilantes, atentos. Calculadamente incômodos. Orgulhosamente necessários.

Parabéns ao Jornal EXTRA

Parabéns aos leitores que sempre nos sustentaram com confiança, crítica e lealdade. E parabéns também a todos nós que acreditamos que, enquanto existir um EXTRA nas bancas e nas mãos do povo, Alagoas continuará tendo um jornalismo que honra sua história.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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