colunista

Alari Romariz

Atuou por vários anos no Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa e ganhou notoriedade ao denunciar esquemas de corrupção na folha de pagamento da casa em 1986

Conteúdo Opinativo

O Carnaval dos sonhos

14/02/2026 - 06:00
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Na minha infância o Carnaval era bem dividido. Havia o “Corso”, fase que começava antes dos festejos do Momo. Os carros desfilavam pela Rua do Comércio, voltando pela Rua Boa Vista, indo até a Avenida da Paz. No centro do Comércio ficavam os blocos, com música ao vivo e o povo dançando.

Nos dias de Carnaval havia as festas nos clubes: Iate, Fênix, Tênis e Portuguesa. Tudo ia até o amanhecer. Nas praias, havia o Banho de Mar à Fantasia. O povo tomava banho de mar e pulava, embalado pelas músicas de Carnaval.

Nos bairros a Prefeitura organizava, nas praças, palanques com orquestras tocando e o povo frevando. Maceió parava nos quatro dias de Momo. Na quarta-feira de cinzas havia os blocos dos garçons e das pessoas que trabalhavam no Carnaval.

O tempo foi passando e as festas momescas foram mudando. Hoje, um dos carnavais mais famosos é o de Recife e Olinda. São blocos e blocos que saem pelas ruas com música e artistas famosos. As duas cidades são invadidas por turistas que alugam casas ou vão para hotéis e pousadas para aproveitar os blocos que por lá passam.

Salvador é outro lugar em destaque durante os quatro dias de Momo ou até antes disso. O sucesso do Carnaval baiano são os trios elétricos com artistas famosos que carregam multidões pelas ruas de Salvador. Durante o ano existe o que os baianos chamam de “Carnaval fora de época”. Pelo interior, há festas com trios elétricos e cantores conhecidos. Na Bahia, o Carnaval existe durante o ano todo.

No Rio e em São Paulo, além dos blocos que por lá passam, existem as Escolas de Samba. O desfile do Rio é bem melhor do que em São Paulo. A programação é feita com antecedência e os enredos são planejados durante o ano. Neste ano, 2026, até o Lula vai ser homenageado!

O jogo do bicho, no Sudeste, tem muita força e a maioria das escolas de samba é financiada pelos grandolas do tal jogo. Coisas do Brasil: algo proibido aparece abertamente no Carnaval e nada acontece.

Em Maceió há festas do Momo antes e durante o Carnaval. As principais ficam na orla marítima. A Prefeitura programa os dias em que os blocos saem e o povo vai às ruas pular e dançar. No dia em que sai o Pinto da Madrugada, os foliões enlouquecem e a orla está pequena para tanta gente.

Em Recife existe o Galo da Madrugada, bloco que carrega milhares de foliões e enche as ruas do centro da cidade. É uma loucura e apesar de ter morado por lá durante vários períodos, nunca me arrisquei a ver o Galo. Sou medrosa!

Um sonho que nunca realizei foi ver o desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. A idade chegou e sei que não concretizarei meu sonho de jovem. Vejo pela TV.

Bom mesmo é o Carnaval das praias no meu estado. Moro em Paripueira. Os turistas enchem a pequena cidade. Tudo sobe de preço. Os comerciantes aproveitam a fase para dobrar ou triplicar o faturamento. A Prefeitura organiza o Carnaval com os blocos saindo pelas ruas e proibindo o horário das missas. Não se pode andar de carro pelas ruas. Há pessoas que puxam a água das ruas para uso particular.

Mas vivemos num condomínio fora da cidade, onde mal ouvimos o barulho das ruas. Carro de som não entra em nosso local. As casas são alugadas e os inquilinos nem sempre respeitam as leis do Atlântico Norte.

Recebemos amigos, aproveitamos o mar e a piscina. Para nós é um período de descanso.

Viva o Rei Momo!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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