colunista

Alari Romariz

Atuou por vários anos no Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa e ganhou notoriedade ao denunciar esquemas de corrupção na folha de pagamento da casa em 1986

Conteúdo Opinativo

O que é rachadinha?

21/03/2026 - 06:00
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Há vários anos ouvimos falar de rachadinha. Não sabíamos o que era! Finalmente, descobrimos o segredo: os comissionados das Assembleias Legislativas recebem salário mensal e devolvem parte dele para os parlamentares. Com tal procedimento, a renda dos senhores deputados vai para duzentos ou trezentos mil. E foi bom que a notícia se espalhou pelo Brasil inteiro.

Com ativos e inativos a história é outra: a Mesa Diretora retira parte do rendimento mensal, não pune os culpados, nem devolve o que tirou dos mais jovens e dos velhinhos. Que tipo de crime é esse?

A Polícia Federal já investigou as rachadinhas em vários estados. Entretanto, não chegou a Alagoas. Seria de bom alvitre fiscalizar o Poder Legislativo de Alagoas. Não adianta entrar com processos administrativos. Ela, a Mesa Diretora, não responde.

Existe uma cota para cada deputado, que vem das rachadinhas. Estou narrando tal fato porque encontro assessores pelas ruas da cidade e eles me dizem: “Dra. Alari, recebo X do deputado e devolvo 70% ou divido com vários companheiros. Se o chefe descobrir que contei à senhora, eu sou demitido”.

Quanto a ativos e inativos, já aconteceu comigo: o diretor de pessoal cortou meu salário durante dois anos e cinco meses. Corrigiu o salário, não devolveu o que dele tirou.

Outros colegas me contam que foram prejudicados e obrigados a recorrer à Justiça. Se procuram algum parlamentar, recebem a resposta: “Se ajudar você, tenho que tirar da minha cota. Fale com o presidente ou judicialize”. A criatura entra na Justiça e espera o resultado por vários anos!

Os diretores e procuradores que perseguem os servidores não são punidos. Recebem a bênção do presidente e continuam com a mesma política, isto é, prejudicam os comissionados com as rachadinhas e perseguem ativos e inativos.

É muito divertido ver, na Assembleia Legislativa de Alagoas, um deputado receber altíssimos salários e funcionários verem sua renda mensal ser cortada ou ter reajustes mínimos. Antigamente, a categoria era bem paga e os reajustes do Tribunal de Contas, do Tribunal de Justiça e da Assembleia Legislativa eram aprovados no mesmo dia e em níveis justos. Hoje é uma miséria!

Não sei, nem tenho como provar se ainda existe o “enxerto na folha de pagamento”. Já existiu durante vários anos. É assunto para a Polícia Federal investigar.

A Assembleia Legislativa de Alagoas é uma casa misteriosa. Para se falar com um diretor de pessoal, um procurador ou um deputado, é uma verdadeira novela. Os sindicatos lutam para conseguir algo. Nossos amigos sindicalistas são pessoas responsáveis. Podemos contar com todos eles. A Mesa Diretora não tem o devido respeito pelas entidades e só faz o que quer.

Vivemos, então, ativos e inativos, numa roda-viva. Sempre recorrendo à Justiça e esperando durante anos por nossos resultados.

O dinheiro que vem para a Assembleia só serve para os deputados, que ainda avançam na nossa parte.

Fica aqui o pedido de uma idosa de 85 anos: Polícia Federal, investigue a Assembleia Legislativa de Alagoas e peça punição para os culpados.

Quando lá chegar, a Polícia vai encontrar rachadinhas, procuradores que veem os erros da Mesa Diretora e nada fazem, diretores de pessoal que cortam salários de servidores.

Deus existe! Não duvidem!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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