Experiência vale, sim!
George W. Bush entrou para a história também pelas decisões desastrosas que tomou na Presidência dos Estados Unidos. A principal delas foi a invasão do Iraque, em 2003, conduzida sob a justificativa de que o regime de Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa. Elas nunca foram encontradas. Anos depois, uma investigação do próprio Senado americano concluiu que diversas afirmações feitas pelo governo Bush sobre o Iraque não eram sustentadas pelas informações de inteligência disponíveis. O resultado foi uma guerra de enormes consequências humanas, políticas e econômicas.
É um exemplo extremo, mas serve para lembrar uma coisa elementar: quando alguém ocupa uma posição de poder, não está fazendo um estágio. Suas decisões produzem consequências reais.
É por isso que experiência vale, sim.
Não como garantia de que alguém será bom. Não como salvo-conduto para quem já esteve no poder. Mas como uma informação fundamental para o eleitor: o que essa pessoa já fez, que responsabilidades já assumiu e o que aconteceu quando esteve diante delas?
É essa pergunta que vale fazer em Alagoas.
Na disputa pelo governo do Estado, dois nomes concentram a disputa: Renan Filho e JHC. A diferença entre as duas trajetórias é objetiva.
Renan Filho já governou Alagoas por dois mandatos. Antes disso, foi prefeito de Murici e deputado federal. Depois de deixar o governo estadual, passou quatro anos como ministro dos Transportes. Sua trajetória reúne, portanto, experiência municipal, estadual e federal.
JHC chega à disputa depois de oito anos à frente da Prefeitura de Maceió. Sua administração tem obras e investimentos para apresentar. Mas há também o resultado da cidade ao fim desse período: Maceió permanece entre as últimas capitais brasileiras nos rankings nacionais. No Índice de Progresso Social, ficou em 25º lugar entre as 27 capitais em 2025 e repetiu a 25ª posição em 2026.
São duas experiências executivas que podem ser examinadas pelos resultados que produziram.
No Senado, as trajetórias também são muito diferentes.
Renan Calheiros está no Senado desde 1995. Antes, foi deputado estadual, deputado federal e ministro da Justiça. Presidiu o Senado quatro vezes. Durante suas presidências, passaram pela Casa medidas de grande alcance nacional, como o Fundeb, o Supersimples, a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, os marcos regulatórios do gás e do saneamento, a PEC dos direitos dos trabalhadores domésticos, a Lei da Biodiversidade, a Lei Antiterrorismo e o Código de Ciência e Tecnologia.
Arthur Lira foi vereador de Maceió, deputado estadual, deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados entre 2021 e 2025. Sua experiência parlamentar é extensa. Mas sua trajetória também é marcada por controvérsias e investigações que precisam ser consideradas. Esteve entre os nomes envolvidos na Operação Taturana e, na Presidência da Câmara, foi um dos principais mentores políticos do sistema de emendas de relator, as chamadas RP9, que ficou conhecido como “orçamento secreto”. O Supremo Tribunal Federal posteriormente declarou o mecanismo inconstitucional, apontando a violação dos princípios da transparência, publicidade e impessoalidade.
Dr. Wanderley chega à disputa para o Senado com uma trajetória que começou muito antes da política. Médico cardiologista, professor e cirurgião cardiovascular, construiu uma carreira de décadas na medicina. Em 1989, realizou o primeiro transplante de coração do Nordeste, um marco na história da cardiologia da região. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e também presidiu o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), instituição que reúne os secretários estaduais de Saúde de todo o país. Na vida pública, foi secretário de Saúde de Alagoas, vice-governador por duas vezes e chegou a assumir interinamente o governo do Estado.
Marina JHC chega à disputa para o Senado sem mandato eletivo anterior e sem uma trajetória própria de exercício de função pública. Sua experiência pública foi construída principalmente ao lado do marido, JHC, durante os dois mandatos dele na Prefeitura de Maceió. Esta será sua primeira eleição.
São histórias diferentes. Experiências diferentes. Resultados diferentes.
É diante dessas histórias concretas que a palavra experiência deixa de ser uma abstração.
De um lado, há quem já tenha governado Alagoas, administrado uma capital, ocupado ministério, presidido o Senado ou a Câmara. Há quem tenha passado décadas no Parlamento. Há quem tenha construído uma carreira médica reconhecida nacionalmente e levado essa experiência para a gestão pública. Há quem tenha participado diretamente das decisões que moldaram o Estado e o país.
Do outro, há quem esteja chegando pela primeira vez a uma disputa dessa dimensão.
E há, ainda, uma diferença que não pode ser esquecida: experiência não é apenas tempo de vida pública. É também aquilo que se fez com o poder recebido.
Por isso, o eleitor não precisa olhar apenas para a idade, para a aparência de novidade, para a força da campanha ou para a capacidade de comunicação de cada candidato.
Precisa olhar para trás.
Para os cargos que ocupou.
Para as decisões que tomou.
Para os resultados que produziu.
Para os problemas que resolveu — e para aqueles que deixou.
Para a experiência profissional que construiu.
Para as alianças que fez.
Para a maneira como utilizou o poder quando o teve nas mãos.
E, sobretudo, para aquilo que é possível comprovar, e não apenas para aquilo que está sendo prometido agora.
Porque a eleição não entrega um prêmio. Entrega uma responsabilidade.
E, quando a responsabilidade é governar Alagoas ou representar o Estado no Senado da República, talvez a pergunta mais séria que o eleitor possa fazer seja também a mais simples: antes de me pedir para acreditar no que você promete fazer, o que você já fez para que eu possa acreditar em você?
Experiência vale, sim.
Mas é a experiência real — aquela que pode ser examinada, confrontada e comprovada — que precisa entrar na conta do voto.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



