Jornalista, escritor, colunista do Jornal Extra, Tribuna do Sertão e presidente do Instituto Cidadão.

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Bravata, excesso ou erro calculado?

02/01/2026 - 10:08
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O ministro Alexandre de Moraes se excede mais uma vez. Ao desconsiderar pareceres médicos e recomendações técnicas sobre os cuidados necessários à recuperação do ex-presidente Jair Bolsonaro, Moraes ultrapassa uma linha perigosa não jurídica, mas humana, política e simbólica.

A Justiça não pode agir movida por raiva, ressentimento ou espírito de revanche. A lei não autoriza a indiferença diante de laudos médicos, nem legitima decisões que aparentam desprezo pela condição física de um custodiado, seja ele quem for. O Estado de Direito se sustenta exatamente quando trata seus adversários com o mesmo rigor e a mesma humanidade que exige para si.

Ao ignorar orientações médicas, Moraes corre o risco de fazer exatamente aquilo que seus críticos mais desejam: transformar Bolsonaro em mártir. E nada fortalece mais um discurso extremista do que a narrativa da perseguição pessoal, do abuso de poder e da desumanização do adversário.

O ato soa como bravata. Ou pior: como um erro calculado, que aposta na força do cargo e na ausência de limites. Se for raiva, é irresponsável. Se for estratégia, é temerária. Em ambos os casos, enfraquece a Justiça e alimenta a polarização que já corrói o país.

A Justiça deve punir com base na lei, não no fígado. Porque quando a toga se confunde com militância, todos perdem, inclusive a democracia que se diz proteger.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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