Bravata, excesso ou erro calculado?
O ministro Alexandre de Moraes se excede mais uma vez. Ao desconsiderar pareceres médicos e recomendações técnicas sobre os cuidados necessários à recuperação do ex-presidente Jair Bolsonaro, Moraes ultrapassa uma linha perigosa não jurídica, mas humana, política e simbólica.
A Justiça não pode agir movida por raiva, ressentimento ou espírito de revanche. A lei não autoriza a indiferença diante de laudos médicos, nem legitima decisões que aparentam desprezo pela condição física de um custodiado, seja ele quem for. O Estado de Direito se sustenta exatamente quando trata seus adversários com o mesmo rigor e a mesma humanidade que exige para si.
Ao ignorar orientações médicas, Moraes corre o risco de fazer exatamente aquilo que seus críticos mais desejam: transformar Bolsonaro em mártir. E nada fortalece mais um discurso extremista do que a narrativa da perseguição pessoal, do abuso de poder e da desumanização do adversário.
O ato soa como bravata. Ou pior: como um erro calculado, que aposta na força do cargo e na ausência de limites. Se for raiva, é irresponsável. Se for estratégia, é temerária. Em ambos os casos, enfraquece a Justiça e alimenta a polarização que já corrói o país.
A Justiça deve punir com base na lei, não no fígado. Porque quando a toga se confunde com militância, todos perdem, inclusive a democracia que se diz proteger.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



