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Elias Fragoso

Elias Fragoso é formado em Economia pela Universidade Federal de Alagoas e especialista em Desenvolvimento Organizacional e Administração e Negócios

Conteúdo Opinativo

opinião

É muita patifaria!

03/02/2024 - 06:27
Atualização: 03/02/2024 - 06:32

ACESSIBILIDADE

Itawi Albuquerque/Secom Maceió
Mina 18 da Braskem
Mina 18 da Braskem

Esconde-esconde é brincadeira infantil onde uma pessoa com os olhos fechados conta até certo número combinado com os participantes enquanto os demais se escondem [da que vai procurá-los]. É uma brincadeira antiga passada por gerações em todo o mundo através da tradição oral. O leitor deve estar se perguntando: o que tem a ver uma brincadeira infantil com os temas espinhosos abordados pelo colunista nos últimos anos? Tem muito. 

Mas com enorme diferença da brincadeira infantil para um “pique-esconde” de dissimulações, anomias, prevaricações e faz de conta cujos participantes são a Braskem e os órgãos de fiscalização federal da área de mineração (primeiro com o Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM e depois, sua substituta, a Agência Nacional de Mineração – ANM). 

A empresa no papel dos que escondem (no caso a verdade dos fatos a respeito da mineração de sal-gema que ela explora em Maceió) e as duas últimas – em momentos distintos – no triste papel de “não procurar para não achar” os malfeitos da Braskem em Alagoas. Que levaram ao megadesastre e, mais recente, ao colapso da Mina 18 (dias antes a empresa dizia que estava tudo sob controle até o surgimento inesperado da 18) e à ameaça de que venha a ocorrer o mesmo com outras minas (4 delas a empresa sequer sabe onde estão). 

Tão logo a “caca foi jogada no ventilador” a direção antiga da ANM foi logo avisando que não tinha quadros para fiscalizar a empresa, por isso recebia os relatórios “preparados” pela Braskem e os aprovava sem fiscalizá-la. Em confiança (sic!). Aliás, o gerente local teve a ousadia de afirmar que o problema da Mina 18 foi causado por uma invasão, “que ninguém viu, nem tem registro”, de pessoas da comunidade ao local. Merece ser processado esse sujeito! 

Ele e os antigos diretores do DNPM e da ANM são tão culpados quanto a empresa pelo que ocorreu e vem ocorrendo em Maceió. Anômicos e prevaricantes precisam ser responsabilizados por isso. Recentemente, sob nova direção (que esperamos se mantenha avessa ao canto de sereia das práticas ilícitas utilizadas por mineradoras) é que a coisa começa a tomar novos rumos. 

A Agência elaborou parecer pós colapso da Mina 18 apontando que algumas cavidades geradas pela extração de sal-gema estão sem monitoramento detalhado por parte da Braskem. E foi mais longe: afirmou que o solo da área afetada segue instável e em processo de afundamento, com risco de novos colapsos. Exato o que temos solidariamente ao prof. Abel Galindo denunciado nesse espaço. 

E mais até... O relatório aponta que das 35 minas existentes, 15 não estão pressurizadas, outras sem monitoramento, três delas há cinco anos sem ser monitoradas via sonar, quatro minas, a Braskem sequer sabe onde estão ou o que ocorreu com elas... Uma esculhambação. Essa gente tem que ser responsabilizada por essa e as outras muitas coisas!

Enquanto isso, impávida, a corporação continua a soltar notas fakes esse tema em tela ou sobre tudo que ela provocou em Alagoas. Conta com o beneplácito de certos setores encastelados em posições de mando no âmbito municipal e até em determinados estamentos da justiça. Defensores envergonhados e sorrateiros dos malfeitos da empresa que destruiu parte de Maceió. A cidade onde eles moram e vivem. Precisam ser responsabilizados. É muita patifaria!!!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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